Projeto reduz emissão em 2,28 toneladas de CO2 e cria modelo sustentável para trios elétricos

Iniciativa do British Council marcou o primeiro desfile de trio elétrico carbono neutro na cidade, beneficiou 213 trabalhadores e coletou mais de 428 quilos de resíduos em ações realizadas junto ao Navio Pirata, do BaianaSystem.

Projeto reduz emissão em 2,28 toneladas de CO₂
Mateus Fernandes

Um projeto realizado realizado em Salvador pelo British Council, em parceria com a LAJE Sustentabilidade, compensou a emissão de 2,28 toneladas de CO₂ e deixou um conjunto de ações ambientais com impacto de longo prazo. A iniciativa marcou o primeiro desfile de trio elétrico  carbono neutro da cidade e incluiu o plantio de 1.100 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica. Com ações previstas de manutenção e monitoramento, a consultoria responsável estima a captura de cerca de 50 toneladas de CO₂ equivalente nos próximos cinco anos.

Ação realizada durante a passagem do Navio Pirata, trio elétrico da banda BaianaSystem
Mateus Fernandes

A ação foi realizada durante a passagem do Navio Pirata, trio elétrico da banda BaianaSystem, e integrou o inventário de emissões de gases de efeito estufa, monitoramento ambiental, ações de economia circular e iniciativas de inclusão socioambiental. O projeto contou com o apoio da Prefeitura de Salvador através das Secretarias de Cultura e Turismo e Sustentabilidade e Resiliência ao longo do desfile, e viabilizou a coleta de 428 quilos de resíduos, além de ações estruturadas de capacitação e proteção para trabalhadores do Carnaval.

“Eventos desta dimensão têm potencial para induzir mudanças estruturais. Este projeto prova que dá para reduzir emissões e organizar a gestão ambiental mesmo em grandes eventos de rua. Isso coloca a sustentabilidade como parte do modelo de produção cultural”, afirma Rafael Ferraz, head de Artes do British Council no Brasil.

Ao todo 213 trabalhadores foram beneficiados
Mateus Fernandes

No eixo de resíduos e economia circular, foram recolhidos 194 quilos de materiais recicláveis, como PET e alumínio, além de 234 quilos de isopor, volume 103% acima da meta estabelecida. Também foram coletados 210 litros de óleo de cozinha e azeite de dendê usados, ação que pode evitar a contaminação de aproximadamente 5 milhões de litros de água. Além disso, os óleos coletados foram destinados para a produção de biodiesel. Durante o desfile, a equipe técnica realizou seis medições de qualidade do ar e 18 medições de ruído, em diferentes pontos e horários do percurso, além do controle do consumo energético do trio elétrico, que operou por 4,6 horas com acompanhamento contínuo. Os dados coletados irão subsidiar relatórios de impacto ambiental e social, com base na metodologia científica ESALQ-USP / Instituto Totum / SOS Mata Atlântica, que subsidiarão futuras iniciativas em outros carnavais.

Iniciativa do British Council marcou o primeiro desfile de trio elétrico carbono neutro na cidade
Mateus Fernandes

“O Carnaval envolve uma cadeia extensa de trabalho e renda. Cuidar do impacto ambiental exige, ao mesmo tempo, cuidar das pessoas que sustentam essa festa. O projeto mostra que impacto social e ambiental precisam caminhar juntos”, afirma Leide Laje, CEO e fundadora da LAJE Sustentabilidade.

Ao todo, 213 pessoas foram beneficiadas diretamente, entre elas 94 ambulantes, 42 baianas de acarajé, 30 catadores, 38 seguranças (os Cordeiros da Paz) e uma equipe de acolhimento. Os três últimos participaram de ações formativas voltadas à acessibilidade para pessoas com deficiência. O projeto realizou cinco horas de treinamentos e oficinas, com capacitação específica para catadores, formação em acessibilidade PCD, preparação da equipe de acolhimento e oficina de compostagem urbana. A operação incluiu ainda medidas de proteção ao público, como a distribuição de 200 protetores auriculares, 20 abafadores de som infantis e 48 cordões de identificação para crianças, além de uma equipe de acolhimento composta por nove pessoas, três delas com deficiência.

Foram coletados 210 litros de óleo de cozinha e azeite de dendê usados
Mateus Fernandes

Do eixo de compromisso socioambiental faz parte o plantio de 1.100 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica na APA Joanes – Ipitanga, região metropolitana de Salvador. Está previsto o monitoramento, manutenção e verificação do plantio durante um ano.  Com base em estudos científicos consolidados para o bioma, estima-se um potencial de sequestro de 44 a 50 tCO₂e (toneladas de CO2 equivalente) em 5 anos e 96 a 110 tCO₂e em 10 anos. Como legado para comunidades tradicionais, o projeto doou quatro composteiras urbanas feitas de isopor reciclado a três comunidades Quilombolas – Rio do Macaco, Areia Branca e Dandá, ampliando o impacto ambiental positivo para além do período do Carnaval.

“Salvador tem um dos maiores carnavais do mundo e, justamente por isso, também tem a responsabilidade de liderar caminhos mais sustentáveis para grandes eventos. Essa iniciativa mostra que é possível conciliar a potência cultural da festa com práticas concretas de redução de emissões, gestão de resíduos e inclusão socioambiental. Para a Prefeitura, apoiar projetos como este significa transformar o Carnaval em um espaço de inovação, aprendizado e construção de soluções que podem inspirar outros eventos no Brasil e no mundo”, afirma Ivan Euler, secretário de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis) da Prefeitura de Salvador.

A iniciativa integra a programação do Ano Cultural Brasil/Reino Unido 2025–26, programa bilateral que promove colaborações entre os dois países em áreas como cultura, educação e sustentabilidade. O projeto, pioneiro em Salvador, pretende gerar aprendizados e metodologias que possam ser replicados em outros grandes eventos no Brasil e internacionalmente para contribuir com uma agenda mais ampla de descarbonização e desenvolvimento sustentável.

Veja mais informações aqui.

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