Projeto, já nos serviços de streaming, é dividido em quatro momentos: entre as participações está Alice Carvalho, protagonista da série do Prime Video
De Sergio Ricardo, com “Menino da Calça Branca” e “A Noite do Espantalho”, a Chico Science e Nação Zumbi em “Baile Perfumado”. Entre “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e um baião inspirado na versão reggae de Grace Jones para “Libertango”, de Astor Piazolla. O sertanejo roots, o cyberpunk, o cyber cangaço. É no encontro de referências que se entrelaçam às raízes da cultura brasileira com as memórias da infância de Russo Passapusso ao lado do pai no sertão baiano que chega nesta sexta-feira (27) aos serviços de streaming “Línguas e Léguas”, opereta assinada pelo BaianaSystem para a segunda temporada da série “Cangaço Novo”, disponível no Prime Video a partir de 24 de abril.
Com 14 minutos no total, a peça é subdividida em quatro momentos que se conectam como parte de um entendimento contínuo: “Línguas”, “Léguas”, “Tributo Sertanejo a Grace Jones” e “Engolindo Fogo e Cuspindo Aço”. Daí veio a ideia do formato de opereta. Com a faixa, chega ao canal do YouTube da banda um vídeo de making-of (ASSISTA AQUI).
Dinorah na série e parceira frequente do BaianaSystem, Alice Carvalho é uma das participações de “Línguas e Léguas” e responsável por levar à banda o convite para um mergulho musical neste universo do cangaço. “Voltando de uma turnê pela Austrália, num fuso horário louco, de madrugada, comecei a ouvir e fazer relações na minha cabeça entre ‘Libertango’, de Astor Piazzolla, que eu amo na versão de Grace Jones, o reggae ‘I’ve Seen that Face Before”, com o nosso forró, a nossa história, o nosso baião. Os primeiros versos que escrevi foram para uma linguagem de coco e embolada”, relembra o cantor.
Nascido e crescido no sertão baiano, o músico também foi remexer a própria história para encontrar a atmosfera do cangaço que o projeto traz à tona. “Eu venho das guerras de espada, engolindo fogo e cuspindo aço. Na minha infância, quando alguém roubava uma fazenda no sertão e era pego pelos donos, acontecia um processo meio cangaço. Era comum machucarem a pessoa para que ela nem ninguém mais tomasse coragem de repetir aquilo. Meu pai era muito procurado por alguns desses criminosos quando eles queriam mudar de vida porque trabalhou um tempo na antiga Febem, então tinha uma sensibilidade especial para aconselhar. Eles batiam à nossa porta. Essa efervescência de a busca pela liberdade ser uma prisão também ficou batendo muito na minha cabeça, por isso ‘Libertango’ veio com tanta tanta força.”
“Na primeira temporada, já tínhamos usado uma música do BaianaSystem, mas na segunda o contato foi mais estreito. Trocamos ideias sobre as cenas e essa música virou uma obra completa, uma opereta incrível que o Russo fez junto com o BaianaSystem. Usamos em um momento bem especial da série, inclusive com o vocal da Alice Carvalho. É uma honra enorme ter o Baiana se envolvendo tão profundamente no ‘Cangaço Novo’. Fico lisonjeado de ter essa composição feita e inspirada, onde a Alice e o Baiana colaboram com a trilha da série”, Fabio Mendonça, diretor geral de “Cangaço Novo”.
Com Russo se unindo a maestro Ubiratan Marques, Roberto Barreto (guitarra baiana), Seko Bass (baixo), Junix (guitarra) e Jean Michell (bateria), o BaianaSystem encontrou a sonoridade da interpretação “sertaneja roots” que dá vida ao projeto. Ainda participam o rapper Vandal, a cantora Nadja Meirelles e o sanfoneiro Cicinho de Assis.
“Línguas e Léguas” consolida o olhar do BaianaSystem na relação marcante entre imagem e som que é um dos pilares da trajetória da banda. “Esse entendimento da multidisciplinaridade, e agora com Alice e poetas como Luiz Carlos Bahia, essa grande crew do BaianaSystem abre um precedente pra gente ‘ver som’ e ‘ouvir imagem’ de uma maneira muito peculiar. Não pior nem melhor, e é bonito isso porque mergulha nessas raízes de música brasileira de uma forma diversa”, encerra Russo.

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