Após as primeiras premiações do cinema neste ano, expectativa cresce para a maior noite da indústria
Depois da sequência de premiações internacionais, como o Globo de Ouro, o Critics Choice Awards e o SAG Awards, a atenção do público se volta para o Oscar, no próximo dia 15 de março. No Brasil, a pergunta se repete nas redes sociais e entre os amantes do cinema: quais são as reais chances de o país conquistar uma estatueta em 2026? A expectativa é grande. Após as premiações de “Ainda Estou Aqui”, na última temporada, o país passou a figurar com mais força na rota das principais premiações internacionais, consolidando o cinema brasileiro no radar da indústria.
Após analisar os anúncios feitos pela academia, a professora Juliana Cristina Borges Monteiro, do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Anhembi Morumbi, integrante do maior e mais inovador ecossistema de educação de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, avalia que o cenário é animador. “Não vou negar que as cinco indicações me surpreenderam bastante, especialmente pela presença do filme em categorias centrais como Melhor Filme e Melhor Ator, que ampliam significativamente sua visibilidade na premiação. A alegria desse momento é insuperável. É clima de Copa do Mundo e ninguém torce como o brasileiro”, afirma.
São quatro indicações para O Agente Secreto e uma para o diretor de fotografia Adolpho Veloso, pelo trabalho no filme Sonhos de Trem. O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, concorre em categorias centrais como Melhor Filme e Melhor Ator, com Wagner Moura, além de disputar Melhor Filme Internacional e marcar presença na categoria de Melhor Seleção de Elenco. Para a especialista, o desempenho ao longo da temporada reforça o favoritismo. “O filme brasileiro está em um momento ótimo na campanha das premiações e tem se consolidado como um candidato forte, inclusive com conquistas importantes ao longo da temporada. Podemos dizer que este ano nossas chances são fortíssimas, principalmente em Melhor Filme Internacional”, destaca a especialista.
Além de figurar na categoria de Melhor Filme Internacional, O Agente Secreto também aparece em categorias centrais da noite, como Melhor Filme e Melhor Ator, com Wagner Moura, além de disputar Melhor Seleção de Elenco. Para Juliana, essa presença múltipla amplia a visibilidade da produção e demonstra que o reconhecimento não se restringe a uma categoria específica, mas alcança diferentes dimensões artísticas do projeto.
A especialista também chama atenção para o contexto mais amplo da temporada. Segundo ela, o fortalecimento do cinema brasileiro não se resume a um único título. Obras como Manas, de Marianna Brennand, e O Último Azul, de Gabriel Mascaro, também circularam com destaque em festivais e premiações internacionais e disputaram internamente a vaga de representante brasileiro. O fato de múltiplas produções nacionais estarem aptas a essa disputa evidencia a diversidade, a consistência e o amadurecimento da cinematografia brasileira nos últimos anos. “Muitas vezes esperamos que alguém de fora reconheça nossa produção para validar o que já sabemos. Quando isso acontece, é uma catarse. Mas é importante lembrar que o cinema brasileiro tem qualidade indiscutível há muito tempo”, pontua.
Na categoria de Melhor Fotografia, a indicação de Adolpho Veloso por Sonhos de Trem representa, segundo a professora, um exemplo da maturidade técnica alcançada pelos profissionais brasileiros. “O trabalho do Adolpho é muito sensível. A escolha pelo uso de luz natural e pela valorização do aspecto de tela são decisões arriscadas e de grande relevância para a narrativa. O impacto visual transforma a experiência em algo quase palpável e muito próximo do espectador”, analisa. Para ela, esse tipo de reconhecimento evidencia que o Brasil não apenas conta boas histórias, mas também domina a linguagem cinematográfica em alto nível.

À medida que a cerimônia se aproxima, cresce também o envolvimento do público brasileiro, que acompanha cada etapa da corrida com atenção e entusiasmo. Independentemente do resultado, a presença expressiva do país na edição de 2026 simboliza um momento de afirmação. Mais do que disputar uma estatueta, o Brasil consolida sua imagem como protagonista em uma indústria global e reforça a percepção de que o cinema nacional deixou de ser exceção para se tornar presença constante na maior premiação do audiovisual.
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